sábado, 19 de novembro de 2016

Reze, como se tudo dependesse só de Deus. Estude, como se tudo dependesse só de você!

Crescimento na carreira se dá por um conjunto de fatores. Não dá para negar que estar no lugar certo na hora certa são pontos importantes e nem sempre controláveis. Eu, pessoalmente, acredito que não dá para negar a importância do fator sorte. Mas, por outro lado, não dá, também, para ficar dependendo de que a sorte bata à sua porta. Por isto me vem à mente uma frase que minha mãe sempre me disse: “Reze, como se tudo dependesse só de Deus. Trabalhe, como se tudo dependesse só de você”.
Com certeza você já leu ou ouviu, um monte de vezes, a mesma conversa de quanto é importante estar preparado para quando as oportunidades aparecerem. Mas ficam as dúvidas: que oportunidade vai aparecer? Como me preparo para uma oportunidade que nem sei quando e nem de que maneira vai aparecer? Como eu enxergo as oportunidades que, eventualmente, apareçam em minha frente? Como saber se o que tenho é uma oportunidade de fato ou uma arapuca?
Experiência e bom senso ajudam muito a discernir entre o que é e o que não é, de fato, uma oportunidade na carreira ou na vida. Mas para ganhar experiência vai tempo, paciência e, muitas vezes, quebrar a cara também.
Afinal, o que ajuda para estar pronto para oportunidades? Minha resposta: ESTUDAR.
Há inúmeras as pesquisas que mostram a correlação direta entre anos de estudo e média salarial, veja o gráfico abaixo, de um relatório do Collegeboard.org
Parece óbvio, mas na prática muitas pessoas negligenciam sua formação continuada e acabam por não aproveitar oportunidades por não saberem separar as boas das más chances da carreira. Tudo por falta de uma base educacional forte. Mas preste atenção: BASE EDUCACIONAL FORTE.
Tenha cuidado na escolha dos cursos e escolas onde vai jogar seu esforço, tempo e dinheiro. Analise com carinho se uma graduação, pós, especialização, extensão ou outro tipo de curso vai lhe acrescentar algo que o ajude, de fato, a se diferenciar. Há muitas instituições oferecendo cursos de todas as formas e métodos. Veja quais têm peso acadêmico para dar um bom significado em seu currículo.
Achado o curso que você avalie ter algo para acrescentar à sua formação, em uma instituição que pode diferenciar seu currículo, vá em frente. Estude, se dedique, sue e aprenda tudo o que puder. Terminado este curso estude mais. Leia, se interesse por muitos assuntos, não fique preso a uma área apenas, mas ao contrário, aprenda sobre vários assuntos, pois em algum momento sua cultura geral bem como sua formação profissional vão te ajudar a enxergar as boas oportunidades e discernir entre as não são tão boas assim.
Faça a sua parte. Se rezar vai ou não te ajudar, depende da sua fé, mas estudar vai depender mesmo é de você.
Por:
Marcelo de Carvalho Reis
Marketing and Product Development professor at University of Campinas

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A Triste Sina Dos Idosos Órfãos De Filhos Vivos – Os Marginalizados Da Pós-Modernidade

Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.
A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.
A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.

Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas.
Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.
Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável.
Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos.
O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.
A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado.

Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais.
 Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração.