A primeira vez que ouvi falar sobre Snapchat pensei: mais uma besteira para entupir meu telefone. A primeira vez que usei: tive certeza que não servia para absolutamente nada. Eu estava errado.
O Snapchat foi apresentado a mim a mais ou menos 1 ano, um grande amigo me apresentou falando o quão legal era aquilo, e que todos estavam baixando. Já preparando mais um Snap.
Eu achei aquilo tão estupido, sair tirando fotos que inevitavelmente desapareceriam. Sabe como é, eu nasci na geração que revelava fotos, e que só via a foto la no papel alguns dias depois. Por muito tempo fiquei sem usar este aplicativo, e recentemente, comecei a enviar os tais "snaps" para poucos usuários que apareceram em meus contatos. Em seguida, vários amigos começaram a me enviar snaps também, minhas notificações diárias saltaram de duas para 20.
O Snapchat deixou de ser apenas um aplicativo e se transformou em uma cultura, um fenômeno. É como um twitter, misturado com instagram, misturado com crack. Só que pior. No twitter temos 140 caracteres para espalhar nossa opinião por ai, o snap nos da 31. O tweet fica eternamente lá. O snap se foi em dez segundos.
Uma das coisas mais interessantes é a capacidade de interagir diretamente, afinal ninguém que twitta aos seus 500 seguidores algo do tipo "Nossa que aula chata" ou "Finalmente em casa" tem a vontade expressa de comunicar isso a cada um dos 500, no snap este fluxo pode ser direcionado.
Graças ao Snapchat, estou recebendo uma imagem do rosto de alguém durante uma palestra na segunda-feira triste, e eu gosto disso. E eu não sou o único. Por causa do Snapchat homens e mulheres que conhecíamos apenas em certas frentes da vida, como no trabalho ou na escola, estão abrindo janelas de suas vidas, de seus hábitos. Nós sabemos quem está de ressaca e quem está tranquilo. E o melhor, nós podemos assistir.
O Snapchat revolucionou, por que entendeu nossa geração antes de qualquer outro canal digital. De certa forma, passou a tecnologia para trás, limitando o tempo de uma mensagem quando se vendiam cartões de memoria para guarda-las para sempre. Os snaps não são algo tangível. Não é algo transcrito e depois publicado na internet, pesquisável por interesses futuros, é simplesmente uma memória.
Podendo optar sempre por texto ou imagem, mais e mais pessoas querem compartilhar. Eles não tem medo de colocar suas vidas para fora da caixa, seja uma foto horrível para uma amiga ou uma foto linda. Ela irá desaparecer.
Somos da geração do Like, dos comentários. De status a tweets, publicamos coisas online cientes de que qualquer pessoa pode ver. Conscientes ou não de que estamos sendo julgados e quase sempre a procura de aprovação - ou curtir.
Snapchat é diferente. É divertido, e sem a eterna e aterrorizante presença do resto das nossas manias. A nova geração será ainda mais protagonista desta mudança, no último final de semana fui ao teatro e posso afirmar, das quase mil pessoas presentes, pelo menos 90% enviou alguns snaps durante as aparições bombásticas da peça, que inclusive entraram no palco filmando tudo para o Snap.
Este é apenas o começo. Quem sabe a nossa cultura possa voltar ao tempo em que não tínhamos medo de compartilhar qualquer coisa. Até lá, meu user é
monatale, e eu aceito caras tristes, felizes, de ressaca, cantando e fotos de comida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário